PRODUÇÃO DO JOGO DIDÁTICO CONVIVENDO COM VERMES COMO MÉTODO AUXILIADOR DA APRENDIZAGEM

Fernanda Abraão Ferreira, Roberta Flávia Ribeiro Rolando Vasconcellos

Resumo


 

Fernanda Abraão Ferreira[1]

Roberta Flávia Ribeiro Rolando Vasconcellos[2]

 

Intervenções educativas apresentam-se como uma ferramenta eficaz na educação em saúde, bem como a identificação dos repertórios comportamentais e os conhecimentos da população sobre o tema para as referidas intervenções no controle de helmintoses intestinais (PEDRAZZANI et al., 1990). Na escola muita das vezes não é abordada de maneira significativa a importância do combate a parasitas intestinais e que passam despercebidos pelo conteúdo de ciências, sendo assim os alunos não adquirirem conhecimento ou adquirem de forma reduzida a importância no combate a essas doenças que podem ser evitadas com medidas básicas de higiene. Apesar da  alta  frequência  de  enteroparasitoses  causadas  à  população  em  geral, ressalta-se  a  escassez  de  estudos  acerca  do  problema,  visando  um  melhor dimensionamento e elaboração de medidas de combate por parte das autoridades sanitárias (MARQUES, 2005). De acordo com Coelho (1995), o Brasil é um dos países com decorrentes faltas de saneamento básico, com números alarmantes estampados em jornais. As parasitoses ainda são apontadas como um indicador do desenvolvimento socioeconômico de um país, afetando principalmente jovens que estão em fase escolar, provocando problemas de saúde e baixo nível de rendimento nas atividades de aprendizagem (SIQUEIRA; FIORINI, 1999). Assim, se faz necessária a aprendizagem de conceitos e domínio por conteúdos voltados para educação sanitária/parasitológica, sendo um dos principais no processo de saúde/doença no meio social.

Dentre as atividades educativas propostas para a prevenção de doenças parasitológicas, destacam-se o uso dos jogos educativos. O ambiente lúdico do jogo é um espaço privilegiado para promover a aprendizagem. O campo da educação ambiental no controle das parasitoses intestinais vem se mostrando uma estratégia com baixo custo e capaz de atingir resultados significativos e duradouros (ASOLU; OFOEZIE, 2003), uma vez que é similar ao processo educativo constante, dinâmico e criativo, podendo ser incorporada nas aulas de ciências.

Lara (2004) afirma que os jogos vêm ganhando espaço dentro das escolas, na tentativa de trazer o lúdico para dentro da sala de aula, onde a maioria dos professores os utiliza para tornar as aulas mais agradáveis para que a aprendizagem seja fascinante, levando o aluno a enfrentar situações do cotidiano.  E diante da grande ligação dos alunos com jogos e do constante crescimento do uso de jogos na educação, o presente trabalho tem por objetivo desenvolver  e avaliar o jogo – Convivendo com vermes - como material educativo voltado para o ensino de parasitoses na educação básica.

De acordo com a proposta de projeto desenvolvido no programa de Mestrado em Ensino de Ciências na Educação Básica, o jogo didático intitulado como Convivendo com vermes, será elaborado com base nos conteúdos específicos: verminoses, métodos profiláticos, disseminação das doenças e interação social. O jogo será de aprofundamento, que segundo Lara (2004), podem ser explorados, depois de se ter construído ou trabalhados determinados assuntos, para que os educandos apliquem-nos em situações através de jogos. O jogo será de tabuleiro, constando de vários cenários como: parquinho, área de lazer, casas, shopping e algumas partes da escola e área hospitalar, os alunos poderão escolher qual pino/carrinho serão (azul, amarelo, rosa, vermelho, branco, preto). Na caixa do jogo conterá manual do aluno/jogador, os pinos de diversas cores, tabuleiro com cenários 3D, cartas com dicas, curiosidades e com advertências. O aluno terá como objetivo não adoecer ou caso adoeça, que procure o método mais eficaz para a cura da verminose, os outros alunos/jogadores poderão ajudar caso alguém esteja doente.

A aplicação e avaliação do instrumento de aprendizagem será feita em duas escolas da rede particular e pública no município de São João de Meriti em turmas de 4º ano do Ensino Fundamental. A avaliação será feita antes da apresentação do jogo com um questionário usado como pré-teste, afim de avaliar os conhecimentos prévios dos alunos. Em um segundo momento, será apresentada uma aula expositiva acerca do assunto proposto e o jogo será exposto aos alunos/jogadores, em grupos de 5/6 alunos. Após a utilização do jogo será realizada uma entrevista para verificar a eficácia do método lúdico proposto. Entrevistas são usadas para obter informações sobre o que as pessoas sabem, acreditam, esperam ou sentem, o que pretendem fazer ou fizeram bem como acerca das explicações de coisas precedentes (SELLTIZ et al., 1965). A entrevista será feita com 7 alunos sorteados aleatoriamente de cada turma de 4º ano e com os professores das turmas aonde o método foi aplicado, a mesma será semiestruturada, buscando obter informações, dados e opiniões, através de uma conversa livre, descontraída e com roteiro prévio. Será feito uso de um gravador, para que seja possível captar as falas dos entrevistados e posteriormente feita uma verificação e análise do que foi dito, posteriormente serão transcritas na íntegra. O presente instrumento visa auxiliar professores e alunos no processo de aprendizagem acerca dos conteúdos de educação sanitária/parasitológica.

 

Palavras chaves: Ensino. Aprendizagem. Jogos. Educação Sanitária/Parasitológica.

 

REFERÊNCIAS

 

ASOLU, S.O.; OFOEZIE, I.E. The role of health education and sanitation in the control of helminth infections. Acta Tropica, v.86, n.2, p.283-94, 2003.

COELHO, C. Manual de Parasitologia Humana. Canoas : Ed. ULBRA,1995. 150p.

LARA, I. C. M. DE. Jogando com a Matemática de 5ª a 8ª série. São Paulo: Rêspel, 2004.

MARQUES T., SANDRA M.; BANDEIRA, C.; MARINHO DE QUADROS, R. Prevalência de enteroparasitoses em Concórdia, Santa Catarina, Brasil. Parasitol. Latinoam., jun. 2005, vol.60, no.1-2, p.78-81. ISSN 0717-7712.

PEDRAZZANI, E. S; et al. Aspectos educacionais da intervenção em helmintoses intestinais, no subdistrito de Santa Eudóxia, município de São Carlos, SP. Cadernos de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v. 6, p. 74-85, 1990.

SELLTIZ, C. et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Heder, 1965.

SIQUEIRA, R. V.; FIORINI, J. E. Conhecimento e procedimentos de crianças em idade escolar frente as parasitoses intestinais. Revista Universitária Alfenas, Minas Gerais, v. 5, p. 215-220, 1999.


[1] UNIGRANRIO; fernandabraao@gmail.com

 

[2] UNIGRANRIO; roberta.vasconcellos@unigranrio.edu.br

 


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