UMA REFLEXÃO SOBRE A BASE CURRICULAR DO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E A PRÁTICA DOCENTE

Cristiane Santos Couto, Abel Rodolfo Garcia Lozano

Resumo


UMA REFLEXÃO SOBRE A BASE CURRICULAR DO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA E A PRÁTICA DOCENTE

Cristiane Pereira dos Santos Couto[1]

Abel Rodolfo Garcia Lozano[2]

 

Resumo

Neste artigo propomos pensar sobre a necessidade de estabelecer um horizonte comum que possa orientar as diversas formas de se organizar o processo de formação do professor de Matemática. O presente estudo é documental, onde serão realizadas entrevistas com coordenadores, dos cursos de Licenciatura em Matemática de algumas Instituições de Ensino Superior, com o propósito de contribuir para o debate sobre as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores. Pretendemos ao final apresentar reflexões e alternativas relevantes para outros formadores que sintam a necessidade de realizar (re) formulações no curso que atuam.

Palavras-chave: Currículo; Prática docente; Licenciatura em Matemática.

 

Estudos baseados em Perrenoud (1999, 2003), Schön (1992, 2000), Nóvoa (1992), Schulmam (1986, 1987, 1992), Tardif (1991, 1996, 2002), sobre a aquisição do conhecimento pelos professores para o ensino estão exaustivamente apontados nas pesquisas existentes, bem como suas contribuições.

Porém, em tudo já bastante discutido no universo acadêmico, podemos encontrar alguns denominadores comuns a serem tratados com relação à transposição desses conhecimentos, conciliando as diversas esferas de interesse: Ministério da Educação (MEC), Instituições de Ensino Superior (IES), Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), Sociedade Brasileira de Educação Matemática (SBEM), Associação Nacional dos Professores de Matemática na Educação Básica (ANPMat), entre outros. Sem esquecer que é preciso que os estudantes também queiram cursar uma licenciatura, que a carreira seja interessante e que as escolas contem com infraestrutura e condições adequadas para o desempenho de suas funções.

Cabe-nos indagar: os cursos de Licenciatura em Matemática possibilitam ao professor em formação uma relação de autonomia no trabalho, que lhe permita criar propostas de intervenção pedagógica, lançar mão de recursos e conhecimento pessoais e disponíveis no contexto, integrar saberes, ter sensibilidade e intencionalidade para responder a situações reais, complexas, diferenciadas? Esse é o nosso alvo de pesquisa.

Acreditamos que tratar a informação como construção de uma bagagem cultural e crítica que permita sua interpretação e reflexão como formação perante as demandas sociais e o exercício da cidadania, e em particular, experimentar a matemática como ciência, familiarizando-se ao método matemático de argumentação é o caminho.

Neste artigo propomos pensar sobre a necessidade de estabelecer um horizonte comum que possa orientar as diversas formas de se organizar o processo de formação do professor de Matemática, ressaltando que a realidade brasileira é multifacetada e, por esse motivo, cada curso, cada instituição, cada região específica do país possui características que lhe são peculiares e que devem ser respeitadas.

O Plano Nacional de Educação 2011-2020 propõe “garantir que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, em cursos de licenciatura na área de conhecimento em que atuam” (Meta 15, PNE 2011-2020, p.88). Mas os resultados são lentos, ao contrário do crescimento do número de pessoas que passaram a ter acesso à Educação. Para tanto o país necessita, cada vez mais, de profissionais bem formados, criativos e flexíveis para atender às demandas atuais e futuras. E tornar-se um profissional é um processo que depende, em boa medida, da formação inicial oferecida pelo curso de Licenciatura.

O curso de Licenciatura deve se estruturar de modo a prevenir que o conhecimento matemático não é um conjunto de conteúdos atemporais, inquestionáveis e/ou somente operacional. Seu ensino precisa propiciar o suporte adequado para outras disciplinas do currículo de maneira articulada e profunda, tanto quanto deve estar o currículo de formação deste professor com sua prática docente escolar, levando em consideração suas características e objetivos desta prática para a qual se destina a sua formação. Neste caso, o perfil do formador adquire importância crucial. Ao estabelecer sua relação com a Educação Básica, o professor formador deve ter claro o entendimento de que não basta saber matemática para formar o professor, assim como não basta conhecer as teorias gerais e aprendizagem ou a Psicologia Cognitiva, mas como esses saberes se articulam na prática docente escolar em matemática.

Desde o Parecer CNE/ CP 9/2001, existe a compreensão de que um projeto político pedagógico de um curso de Licenciatura precisa ser constituído de modo a integrar a prática como componente curricular de todas as disciplinas propostas e, em especial, à Prática de Ensino e ao Estágio Supervisionado de Regência. Em 2002, tais ideias foram aprofundadas e recomenda-se que a prática, na matriz curricular, não fique reduzida a um espaço isolado, que restrinja ao estágio, desarticulado do restante do curso, mas que permeie toda a formação do professor, estando presente desde início do curso. Infelizmente, diversos documentos (ex: CANDAU, 1988; LUDKE, 1997) têm evidenciado que isso ainda está longe de ser uma realidade em nosso país.

Apresentaremos a pesquisa como um recorte dos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP), pesquisando a Formação de Professores de Matemática em algumas Instituições de Ensino Superior (IES), e as interpretações que estão sendo dadas de acordo com a legislação oficial para a tarefa que a instituição necessita realizar: organizar os saberes da formação num corpo de conhecimentos orgânico, consistente e instrumental para a prática docente escolar em matemática.

Defendemos que, a partir do aprofundamento da compreensão dessa prática, repensar o processo de formação de modo a contribuir para o exercício profissional, é um caminho possível e viável para ações efetivamente integradoras entre as disciplinas de conteúdo e as disciplinas de ensino.

O presente estudo é documental (FIORENTINI; LORENZATO, 2006) em que realizamos uma análise interpretativa de informações presentes nos PPP, em constante diálogo com a literatura revisada. As propostas advindas deste material serão constituídas na medida em que realizaremos comparações sistemáticas e agrupamentos semelhantes de conteúdos, objetivos, entre outros, que evidenciarão articulações entre teoria e prática (MORAES,2003).

Serão realizadas entrevistas com coordenadores, que orientam as mudanças estruturais realizadas nos cursos de Licenciatura em Matemática nas IES, com o propósito de contribuir para o debate sobre as diretrizes curriculares nacionais para a formação de professores.

Pretendemos ao final apresentar reflexões e alternativas relevantes para outros formadores que sintam a necessidade de realizar (re) formulações no curso que atuam.

 

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP 9/2001 – Despacho do Ministro em 17/1/2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF. 18 jan. 2002. Disponível em <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/>. Acesso em: 14 nov. 2015.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. PNE 2011-2020. Notas técnicas do Plano Nacional de Educação. Disponível em < http:// www.senado.gov.br/sf/comissoes/CE/documentos/Notas_Tecnicas_PNE_2011_2020.pdf >. Acesso em: 15 nov. 2015.

CANDAU, V. Novos rumos da licenciatura. In: Estudos e Debates 1 - Brasília: INEP; Rio de Janeiro: PUC/RJ, 1988, 93p.

FIORENTINI, Dario; LORENZATO, Sergio. Investigação em educação matemática percursos teóricos e metodológicos. Autores Associados, 2006.

LÜDKE, M. Avaliação Institucional: Formação de docentes para o Ensino Fundamental e Médio (As Licenciaturas). In: Estudos e Debates 19 - Brasília: INEP; Rio de Janeiro: PUC/RJ, 1997, p. 137- 215.

MORAES, Roque. Uma Tempestade de Luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. A storm of light: comprehension made possible by discursive textual analysis. Ciência & Educação, v. 9, n. 2, p. 191-211, 2003.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MATEMÁTICA - SBEM. Subsídios para a discussão de propostas para os cursos de Licenciatura em Matemática: uma contribuição da Sociedade Brasileira de Educação Matemática. São Paulo: SBEM, 2003.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE MATEMÁTICA - SBM. Contribuição da SBM para a Discussão Sobre Currículo de Matemática, 2015. Disponível em <http://www.sbm.org.br>. Acesso em: 14 nov. 2015.


[1] UNIGRANRIO – RJ. E-mail: cris.psantos@superig.com.br

[2] UNIGRANRIO – RJ. E-mail: arglozano@terra.com.br


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