EDUCAÇÃO FINANCEIRA: PRATICANDO O CONSUMO CON-SCIÊNCIA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Antonio Carrara, Chang Kuo Rodrigues

Resumo


O fenômeno que despertou o interesse no desenvolvimento deste trabalho foi a observação do grande número de cidadãos brasileiros devedores ao sistema financeiro atualmente. Pesquisas recentes mostram que grande parte dessas pessoas não faz nenhum tipo de planejamento de seus gastos e não consegue resistir às tentações consumistas, desconhecendo até o valor das contas que vencerão no próximo mês (SPC, 2014).

Esse fato gera diversos transtornos no que diz respeito à organização financeira do indivíduo e das pessoas que vivem ao seu redor, já que desestabiliza o orçamento familiar. Portanto, é válida a seguinte reflexão: se o jovem receber orientações sobre educação financeira no ensino básico, então ele teria posse de mais ferramentas que o possibilitem ser um adulto com vida financeira equilibrada.

Na década de 80, Baudrillard(1981, p.29) já falava sobre o que ele chama de sociedade do consumo: “[...] não se caracteriza somente pelo rápido crescimento das despesas individuais; vem também acompanhada pela intensificação das despesas assumidas por terceiros”.

Educar financeiramente pode ser uma ação pela busca de tomada de decisões conscientes no que se refere às pressões subjetivas da sociedade altamente consumista. “Nessa sociedade, os produtos comprados funcionam como manifestação concreta de valores e da posição social de seus usuários: é a expansão da cultura do ‘ter’ em deturpação da cultura do ‘ser’.” (BRASIL, 2005, p.3).

Segundo Bauman(2007, p.45), “verifica-se uma instabilidade dos desejos aliada a uma insaciabilidade das necessidades, pela consequente tendência ao consumo instantâneo, bem como a rápida obsolescência dos objetos consumidos”.

Diversos pensadores compartilham da mesma ideia. Analisando a possibilidade da orientação financeira desde a infância e adolescência, Domingos(2012, p.08) defende que “se nós vivemos em uma sociedade baseada no capital, então é fundamental que se estabeleça uma relação saudável com o dinheiro desde cedo.”

Também concorda com esse pensamento Cerbasi(2011, p.12) quando diz que “muito pode ser feito pelos jovens se eles souberem, simplesmente, fazer escolhas inteligentes com seu próprio dinheiro, mesmo que seja pouco no início da carreira”.

Portanto a proposta deste trabalho é evolver o pensamento financeiro do aluno de maneira natural, dando-lhe ferramentas e informações até então desconhecidas por ele, de forma que possa orientar-se quando adulto e, talvez, até multiplicar o conhecimento adquirido às pessoas ao seu redor. A pesquisa será feita com um grupo voluntário de trinta alunos do Ensino Fundamental, em uma escola da rede estadual de ensino na cidade de Belford Roxo.

Nessa perspectiva, este trabalho poderá dar contribuição significativa sobre como os professores poderão orientar seus alunos para uma vida em que possam administrar suas finanças e conquistar seus bens de forma honesta e consciente. Assim, o material produzido nesta pesquisa poderá servir como referencial para educadores que também vêem essa importância e buscam utilizar a Educação Financeira em suas aulas na Educação Básica, bem como para futuros pesquisadores desse ramo.


Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.