RESERVA BIOLÓGICA DO PARQUE EQUITATIVA, DUQUE DE CAXIAS: UM ESPAÇO NÃO FORMAL PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

Andreia da Silva Mantovi, João Rodrigues Miguel

Resumo


Reserva Biológica do Parque Equitativa, Duque de Caxias: um espaço não formal para o ensino de Ciências Biológicas

Andréia da Silva Mantovi¹

João Rodrigues Miguel²

 

A preocupação com a melhoria do ensino na Educação Básica não é de hoje. As instituições de ensino andam desestimulantes. Basta entrar numa escola atual e verificar que ela continua repetindo o mesmo modelo. São poucas as que buscaram inovações e um sistema educacional mais moderno, visando à qualidade de ensino. O mais preocupante é que as tradicionais ainda trabalham com o sistema que privilegia a quantidade de informação, misturando os conteúdos significativos com os de pouco significado para aquele momento. Questionários são usados para reforçar o conteúdo e as avaliações servem apenas para medir a assimilação destes conteúdos. 

A Educação Ambiental também se insere nesse contexto. Para muitos professores trabalhar temas transversais como o Meio Ambiente no cotidiano escolar é muito difícil. É importante lembrar que o Brasil é o único país da América Latina que possui uma política nacional específica para a Educação Ambiental e, mesmo assim, pode-se  perceber que ela não é trabalhada como deveria de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, definidos pelo MEC,  e com a lei citada. Segundo Medeiros et al (2011):

[...] as questões ambientais são apresentadas de maneira confusa aos alunos, pois aprendem apenas que é preciso preservar a natureza, mas não são levadas a eles as políticas de impacto capazes de lhes fazer compreender que é preciso preservar e utilizar de forma consciente os recursos naturais que se tem no planeta. Acabam sendo apenas ouvintes e não praticantes.

A principal função de um trabalho com o tema Meio Ambiente é contribuir para a formação de cidadãos conscientes, aptos a decidir e atuar na realidade socioambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem-estar de cada um e da sociedade, local e global. Para isso é necessário que, mais do que informações e conceitos, a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e

 Unigranrio. andréia.mantovi@bol.com.br

² Unigranrio. jmiguel@unigranrio.edu.br

aprendizagem de procedimentos. E esse é um grande desafio para a educação. Constantemente encontramos situações em que pessoas presentes no meio social não conseguem exatamente entender quais os verdadeiros riscos e as proporções do mau uso dos recursos ambientais.

É aí que entra a importância da educação não formal: muitas pesquisas abordam a sua necessidade na Educação Ambiental e sinalizam grandes avanços na aprendizagem significativa, contribuindo para a melhoria do ensino na educação básica. Essas aulas, quando desenvolvidas em ambientes naturais, têm sido apontadas como uma metodologia eficaz,  tanto por envolverem e motivarem crianças e jovens nas atividades educativas, quanto por constituírem um instrumento de superação da fragmentação do conhecimento (SENICIATO e CAVASSAN, 2004). Segundo Shimada e Téran (2014):

Os espaços não formais têm uma função importante no processo de ensino aprendizagem, pois suas características peculiares podem ajudar no processo da educação formal, interagindo com o saber da realidade do educando. A relevância dos espaços não formais na educação além do ganho cognitivo e cientifico, envolve também o afetivo e o sensorial, facilitando o aprendizado dos estudantes, quando a teoria e a prática se tornam realidade.

Dentre os benefícios do uso de aulas de campo em conteúdos relacionados à Ecologia e à Educação Ambiental, destaca-se o fato de que toda a estrutura para a realização da aula já está pronta no ambiente, necessitando apenas que a atividade a ser posta em prática seja planejada previamente para o maior proveito no processo de ensino aprendizagem.

As áreas de proteção ambiental, como a Reserva Biológica do Parque Equitativa, em Duque de Caxias, podem ser importantes ferramentas no processo ensino-aprendizagem numa proposta sócio-ambientalista no que se refere à Educação Ambiental na Educação Básica. Faz-se necessário identificar, conhecer, explorar e viabilizar o acesso dos docentes e dos estudantes a espaços como esse, a fim de que se tornem instrumentos de conscientização na questão ambiental. O objetivo é oferecer à rede de ensino de Duque de Caxias uma proposta de utilização dessa reserva como espaço não formal de ensino-aprendizagem, mostrando sua relevância e desenvolvendo um produto educacional que servirá como ferramenta de ensino nas Ciências Biológicas e Educação Ambiental. Espera-se, com a aplicação desse produto educacional, que os alunos adquiram maior respeito pela natureza, explorando aspectos que não são possíveis dentro da sala de aula; que busquem valores que conduzam a uma convivência harmoniosa com o ambiente,  conscientizando-os de forma a tentar gerar novos conceitos e valores, alertando sobre o que se pode e o que deve ser feito para contribuir na preservação do meio, tentando assim, estabelecer um equilíbrio na busca por um mundo melhor através da disseminação deste conhecimento.

A pesquisa será realizada no Centro de Integração Objetivo (CIOB), instituição de ensino da rede particular, que está situada no bairro da sede da reserva. A metodologia utilizada será a pesquisa-ação que, de acordo com Thiollent (2011, p. 20), “é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo“. A participação, vale ressaltar, está por trás de todas as decisões no que se refere à Educação Ambiental. Analisando os Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC, 1998: 192) fica implícita a necessidade desse tipo de metodologia nessa temática, pois “o tema Meio Ambiente pode ser mais amplamente trabalhado, quanto mais se diversificarem e intensificarem a pesquisa de conhecimentos e a construção do caminho coletivo de trabalho, se possível, com interações diversas dentro da escola e desta com outros setores da sociedade”.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Espaço não formal. Reserva Biológica.

Referências:

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC, 1998.

MEDEIROS, M. C. S.; RIBEIRO, M. C. M.; FERREIRA, C. M. A. Meio ambiente e educação ambiental nas escolas públicas. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XIV, n. 92, set 2011.

SENICIATO, T.; CAVASSAN, O. Aulas de campo em ambientes naturais e aprendizagem em Ciências – um estudo com alunos do Ensino Fundamental. Ciência & Educação, v. 10, n. 1, p. 133-147, 2004.

SHIMADA, M. S.; TERÁN, A. F. A relevância dos espaços não formais para o ensino de Ciências. In: 4º Encontro Internacional de Ensino e Pesquisa em Ciências na Amazônia. Caballo Cocha – Peru, 06 de dezembro de 2014. Tabatinga – Amazonas – Brasil, 08 a 12 de dezembro de 2014. CESTB/UEA.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação.18 ed. São Paulo: Cortez, 2011.


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