GAYS NA ESCOLA: DOCUMENTANDO HISTÓRIAS DE VIDA

Luizete Pereira de Carvalho, Andréa Velloso da Silveira Praça

Resumo


GAYS NA ESCOLA: DOCUMENTANDO HISTÓRIAS DE VIDA

 

Luizete Pereira de Carvalho ¹

Andrea Velloso da Silveira Praça ²

 

Não podemos falar de Educação sem mencionar a Escola. Esta continua sendo uma Instituição imprescindível para a formação do ser humano. É um espaço de educação formal e como promotora do conhecimento, tem como desafio discutir e repensar valores culturais e permitir a desconstrução de normas rigidamente estabelecidas. É preciso que as escolas deixem de funcionar viradas para dentro.

            A escola tem importante papel no processo de conscientização, orientação e formação do sujeito. A homossexualidade é um tema que pode ser abordado por vários aspectos, principalmente numa sociedade marcadamente heteronormativa.

De acordo com Fazano, Ribeiro e Prado (2011, p. 66), “A homofobia se caracteriza por sentimentos de ódio, aversão e desprezo contra as representações sexuais que fogem ao modelo heterossexual” intensificando, assim, o preconceito contra homossexuais.

 Não há dúvida de que o tema deve ser discutido de forma bem simples e sensível, pois a homossexualidade ainda é tabu e quando não se consegue trabalhar essas questões ou não se sabe como abordá-las, geralmente produz-se o silêncio e assim se instala a homofobia. Dentro das escolas a homofobia é um problema verdadeiro e uma das principais causas de bullying, e isso perpassa pelo padrão das relações sociais entre todos da escola, como alunos/as, professores/as, direção e corpo técnico.

            Para esses mesmos autores, a escola não colabora para a desconstrução da homofobia, ao contrário, corrobora com o modelo heterocêntrico: A escola não é um espaço de expressão da sexualidade, pelo contrário. Ela restringe o comportamento, vigia e exerce um controle sobre as atitudes dos alunos. É tão hostil às manifestações das diferenças culturais quanto às relacionadas às expressões de sexualidade.

           

 

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¹ UNIGRANRIO. email: luizetecarvalho@hotmail.com

² UNIGRANRIO.UFRJ. email: andrea.velloso@unigranrio.edu.br

Para Koehler (2009), os debates em torno da homossexualidade nas escolas são fundamentais para a “socialização e a humanização”, possibilitando a compreensão dos diferentes tipos de relações sociais” (p. 590). É papel da escola, contribuir para a construção de uma nova cultura, pautada no respeito às diferenças e no enfretamento da homofobia. (BARBOSA et al, 2011).

 

Desta forma, é de fundamental importância que a escola se sensibilize para esta questão. Segundo Albuquerque, a homofobia na escola afeta o bem estar subjetivo; dificulta o aprendizado, produz segregação e isolamento; gera insegurança e falta de autoconfiança; produz desinteresse; promove estigmatização; produz e agrava a distorção idade-série; desencadeia tendências ao potencial discriminatório; afeta as expectativas de alunos e professores quanto ao “sucesso” e o rendimento escolar; favorece o abandono e evasão escolar; produz intimidação; reduz oportunidades; prejudica o processo de inserção no mercado de trabalho; conduz à maior vulnerabilidade em relação a chantagens, assédios, abusos; tumultua o processo de configuração identidária e a construção do respeito em si; enseja invisibilidade ou visibilidade distorcida das pessoas; influencia a vida social em geral; dificulta a integração das famílias homoparentais na comunidade escolar.

            A pesquisa “Juventudes e sexualidade” publicada pela UNESCO em 2004 e aplicada em 241 escolas públicas e privadas do Brasil, mostra que entre os pesquisados, 39,6% dos meninos não gostariam de ter um colega de classe homossexual.

            Na educação as escolas públicas são apontadas como lugares extremamente homofóbicos e o preconceito como responsável pela evasão escolar de muitos(as) homossexuais, na adolescência.

            Como se sabe, os indivíduos são resultados de suas relações estabelecidas em sociedade. Somos e nos construímos em contato com os outros. Nesse sentido, a discriminação homofóbica chega até a escola de várias formas, podendo ser, simétrica, entre alunos, jovens da mesma idade ou do mesmo ano escolar – ou assimétrica – vinda de brincadeiras, risos, silêncios ou mesmo da indiferença dos professores ou funcionários da instituição, que deveriam educá-los e protegê-los. Entretanto, seja qual for à forma em que a violência homofóbica se insere na escola, ela reflete a sociedade mais ampla sobre a matriz do preconceito à diferença. Ela aparece na hora da chamada (o furor em torno do número 24, por exemplo; mas, sobretudo, na recusa de se chamar a estudante travesti pelo seu “nome social”), nas brincadeiras e nas piadas “inofensivas” e até usadas como “instrumento didático”. Estão nos bilhetinhos, carteiras, quadras, paredes dos banheiros e na dificuldade de ter acesso ao banheiro. Aflora nas salas dos professores/as, nos conselhos de classe, nas reuniões de pais e mestres. Motiva brigas no intervalo e no final das aulas. Está nas rotinas de ameaças, intimidação, chacotas, moléstias, humilhações, tormentas, degradação, marginalização, exclusão, etc. (...) Pessoas vêem-se, desde cedo, às voltas com uma “pedagogia do insulto”, constituída de piadas, brincadeiras, jogos, apelidos, insinuações, expressões desqualificantes. (JUNQUEIRA, 2009).

            As pesquisas realizadas pelo Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos nas paradas LGBT brasileiras indicam que 34,4% das pessoas trans entrevistadas sofreram discriminação e abusos perpetrados na escola por colegas ou professoras/es. Por essa razão, não surpreende que as pessoas trans possuam o menor nível de educação formal, se comparado com os de outras minorias sexuais. No Brasil, 17,8% dos gays entrevistados não completaram o Ensino Médio. (CARRARA et al, 2009).

Nas ciências da educação, autores como Chené (1988), Demartini (1988), Nóvoa e Finger (1988), Kramer e Souza (1994) e Lang (1995), entre outros, consideram as fontes orais – autobiografia, biografia, o depoimento oral, a história de vida, a história oral temática, o relato oral de vida e a narrativa de formação – partes constitutivas da abordagem biográfica, pois integram-se à história oral. Na definição dada por Queirós,

 


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