O USO DE REDES SOCIAIS A FAVOR DO ENSINO DAS CIÊNCIAS

Walas Cazassa Vieira, Roberta Flávia Ribeiro Rolando Vasconcellos

Resumo


O uso das redes sociais a favor do ensino das Ciências

Walas Cazassa Vieira1

Roberta Flávia Ribeiro Rolando Vasconcellos2

Em nossa sociedade atual vivemos momentos de grandes mudanças e descobertas. A todo o momento são lançados novos produtos, novos aparelhos e a tecnologia que até segundos antes era nova, já foi derrubada por uma ideia melhor. Estamos expostos diariamente a um bombardeio de informações vindo de todos os lados, principalmente informações estas veiculadas pela mídia e através das redes sociais, em particular o Facebook©. Hoje, nossos alunos tem acesso a muitos materiais expostos na Web 2.0. No Google©,por exemplo, basta-se digitar uma palavra e aparecem milhares de resultados para serem consultados.

A geração atual é conhecida como geração Y ou geração dos nativos digitais. Rodrigues e Elia (2015) citam Prensky (2013) quando o mesmo diz que “os nativos digitais são aqueles que cresceram cercados de tecnologias digitais [...] e os imigrantes digitais são os que chegaram à tecnologia digital mais tarde na vida e, por isso, precisaram se adaptar”. Muitos professores se enquadram na denominação de “imigrantes digitais” e com isso, necessitam se atualizar para acompanhar seus alunos. Nossos jovens alunos estão sempre atentos às tecnologias e “logados” nas redes sociais. Levando estes aspectos em consideração busca-se através desta pesquisa responder a seguinte pergunta: Seria possível o uso didático dessa ferramenta tecnológica e de contato social tão presente na sociedade atual e, com ela, levar o ensino de Ciências para os nossos alunos? Trabalhar com esta geração sempre conectada é um desafio a ser enfrentado, no entanto, buscar um ensino mais dinâmico da disciplina e unir a visão dos alunos à visão do professor-pesquisador é a tarefa que norteia este estudo e fonte deste trabalho ligado à linha de pesquisa de Inovações Tecnológicas.

O Facebook© é um exemplo de rede social que pode ser utilizada em parceria com a educação escolar. O seu manejo é fácil, o nível de interação entre os participantes pode ser alto e a idade mínima legal de um participante é de 13 anos (RODRIGUES e ELIA, 2015), além disso, o próprio site do aplicativo trás sugestões de como usá-lo para fins educacionais, podendo ser acessado em https://www.facebook.com/education?sk=info (BRESCIA, 2013).

O objetivo principal desta pesquisa, usada para posterior escrita da dissertação para a obtenção do grau de Mestre do Programa de Pós- Graduação em Ensino de Ciências da Unigranrio é avaliar o uso do Facebook© e como mesclar um ensino presencial a atividades complementares a distância, transformando-as em ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs) e utilizando estratégias de Blended Learning. Além disso, observar a atitude dos alunos perante a esta metodologia de ensino-aprendizagem e coletar dados empíricos durante as observações participantes e entrevistas com professores que já utilizam ou utilizaram esta metodologia. Ao final do trabalho, pretende-se elaborar como produto educacional uma cartilha ou livreto com orientações de como transformar algumas plataformas online (entre elas algumas redes sociais, foco do estudo) em ambientes virtuais de aprendizagem e trazer algumas sugestões de atividades a serem realizadas com os alunos e suas devidas recomendações.

A metodologia do presente estudo se baseia em uma pesquisa-ação, pois segundo Thiollent (1986) é um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 1986, p.14). A presente pesquisa também assume formato de estudo de caso que, de acordo com Ludke e André (2001) é o estudo de um caso, simples ou complexo, mas é sempre bem delimitado, devendo ter seus contornos claramente definidos no desenrolar do estudo, como no presente trabalho, no qual serão avaliadas as possíveis aplicações das redes sociais no ensino das Ciências. A pesquisa será qualitativa, pois ao final serão avaliados os resultados obtidos através da qualidade do estudo oferecido.

A pesquisa será aplicada em escola de educação básica, localizada no bairro de Imbariê, na Cidade de Duque de Caxias, RJ. Participarão do projeto alunos do Ensino Médio regular, levando em consideração um maior grau de maturidade e comprometimento dos mesmos, de acordo com a professora da turma, que também participará da pesquisa. A metodologia se baseia em uma pesquisa inicial com professores de diversas áreas e redes e com os alunos da escola onde será aplicado o projeto. Haverá também uma entrevista com professores que utilizam ou já utilizaram as redes sociais da forma proposta no presente trabalho. Serão realizadas atividades a distancia com os alunos, utilizando as redes sociais, onde os mesmos poderão interagir entre eles, com o professor da disciplina e com o professor-pesquisador, que atuará no ambiente virtual de aprendizagem então criado. Neste ambiente, os discentes participarão de fóruns, atividades de revisão e avaliação, além da criação de vídeos e realização de outras atividades propostas, buscando-se utilizar todos os artifícios possíveis desses ambientes virtuais. A pesquisa será aplicada no primeiro semestre de 2016 e o segundo semestre do mesmo ano será reservado para a análise dos dados (recolhidos através dos questionários, entrevistas, diário de campo e observações participantes) e escrita da dissertação, para posterior exame de qualificação e defesa. Esperam-se resultados positivos; resultados estes que possam mostrar que o uso das Tecnologias da Informação possa favorecer o ensino da disciplina e a interação entre aluno-aluno e aluno-professor.

Palavras-Chave: Ensino das Ciências. Redes Sociais. Facebook. Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Blended Learning.

 

Referências bibliográficas:

BRESCIA, Amanda Tolomelli. Redes Sociais e Educação: O Facebook e suas possibilidades pedagógicas. Dissertação de Mestrado. CEFET-MG. Belo Horizonte, 2013.

LUDKE, Menga. ANDRÉ, Marli E.D.A. Abordagens qualitativas de pesquisa: a pesquisa etnográfica e o estudo de caso. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 2001.

RODRIGUES, Cristina de Almeida. ELIA, Marcos da Fonseca. Atividades Extraclasse com base no Currículo Mínimo para a Língua Inglesa usando uma Rede Social. Revista Brasileira de Informática na Educação, Vol. 23, Nº1, 2015.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa - ação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1986.


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