A MELHORIA DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DO ELETROMAGNETISMO COM A UTILIZAÇÃO DE EXPERIMENTOS DE BAIXO CUSTO

Carlos Henrique Rocha, Giselle Faur de Castro Catarino

Resumo


Os professores de Física, que ministram conteúdos do eletromagnetismo geralmente às turmas de terceira série do ensino médio, consideram o processo de ensino e aprendizagem dos conceitos envolvidos pouco efetivo. O excesso de atenção dada às aulas expositivas, cuja abordagem privilegia a aplicação de fórmulas e realização de exercícios repetitivos, em detrimento a abordagens mais práticas e conceituais que possibilitem uma associação dos conteúdos ministrados com a realidade e ou experiências pessoais do aluno, pode ajudar a entender alguns dos obstáculos que precisam ser superados. Este processo encontra-se desgastado, pois não permite que a educação se torne um ato cognoscente à medida que pouco estimula a participação dos alunos.

Há certo consenso que a aprendizagem se torna mais significativa quando é possibilitada ao aluno a realização de atividades práticas que visam ao enriquecimento e ao favorecimento da construção de conhecimento a partir dos conteúdos que estão sendo abordados. Dessa maneira, novas metodologias de ensino precisam ser desenvolvidas com o objetivo de despertar o interesse e a curiosidade dos alunos, possibilitando um olhar diferente do mundo que o cerca e estimulando a construção do conhecimento a partir de sua própria realidade.

Para dar conta de refletir sobre novas metodologias que tornem mais prazeroso, efetivo e significativo o processo de aprendizagem do eletromagnetismo, buscaremos analisar possibilidades de melhoria no processo de aprendizagem do eletromagnetismo a partir da utilização de experimentos de baixo custo. 

A fundamentação teórica desta pesquisa está apoiada na teoria de aprendizagem de Gérard Vergnaud ou, como é conhecida, Teoria dos Campos Conceituais de Vergnaud.

“Vergnaud toma como premissa que o conhecimento está organizado em campos conceituais cujo domínio, por parte do sujeito, ocorre ao longo de um largo período de tempo, pela experiência, maturidade e aprendizagem.  Campo conceitual é, para ele, um conjunto informal e heterogêneo de problemas, situações, conceitos, relações, estruturas, conteúdos, e operações de pensamento, conectados uns aos outros e provavelmente, entrelaçados durante o processo de aquisição.  O domínio de um campo conceitual não ocorre em alguns meses, nem mesmo em alguns anos.  Ao contrário, novos problemas e novas propriedades devem ser estudados ao longo de vários anos se quisermos que os alunos progressivamente os dominem.  De nada serve tentar contornar as dificuldades conceituais; elas são superadas na medida em que são encontradas e enfrentadas, mas isso não ocorre de um só golpe”. (MOREIRA, 2011, p.206)

 

Vergnaud considera que o desenvolvimento cognitivo do aluno tem como premissa a conceitualização.  Moreira (2011) considera esta conceitualização o âmago do desenvolvimento cognitivo, ou seja, sua pedra angular.

  Aos professores cabe um papel muito importante durante este processo de construção de conhecimento, ou seja, apresentar aos alunos diferentes situações que permitam aos mesmos a modificação de seus conceitos rumo ao conhecimento científico.

Para Vergnaud, a diversidade de situações a serem vivenciadas pelos alunos para a construção do conhecimento é fator indispensável à efetividade deste processo de construção. Segundo Braga (2004), o processo de ensino aprendizagem vigente, na maior parte das realidades, não oferece esta possibilidade aos alunos. Em uma postura mais realista, o aluno deveria ser considerado como construtor do seu conhecimento.

Esta pesquisa parte da hipótese de que a abordagem dos conceitos do eletromagnetismo, a partir da utilização de experimentos de baixo custo, permitirá ao professor trabalhar com as situações problemáticas que são citadas na teoria de Vergnaud como essenciais ao processo de ensino aprendizagem.

Segundo os PCNEM, é através da experimentação que se desenvolve no aluno a curiosidade e o hábito de questionar (BRASIL, 2000). Ainda sobre a importância da experimentação, Giordan (1999) afirma que:

 

                                  “É de conhecimento dos professores de ciências o fato de a experimentação despertar um forte interesse entre alunos de diversos níveis de escolarização. Em seus depoimentos, os alunos também costumam atribuir à experimentação um caráter motivador, lúdico, essencialmente vinculado aos sentidos. Por outro lado, não é incomum ouvir de professores a afirmativa de que a experimentação aumenta a capacidade de aprendizado, pois funciona como meio de envolver o aluno nos temas em pauta” (GIORDAN, 1998, p.43)

 

Assim, esta pesquisa, de cunho qualitativo, fará um estudo de caso a fim de perceber se a realização de experimentos de baixo custo, durante as aulas de eletromagnetismo, desenvolvidas e aplicadas à luz de uma sequência didática, torna a aprendizagem deste conteúdo mais significativa. Como sujeitos da pesquisa, foram escolhidos alunos de duas turmas do terceiro ano do ensino médio de uma Escola Técnica Estadual do Estado do Rio de Janeiro, localizada no bairro do Jardim América, totalizando, aproximadamente, cinquenta alunos.

Como produto educacional final, além da pesquisa, este trabalho desenvolverá e construirá uma sequência didática e uma série de experimentos de baixo custo, a fim de que possam ser utilizados nas diversas realidades de escolas do ensino médio.

 

Palavras-chave: Eletromagnetismo, Experimentos, Campos Conceituais de Vergnaud .

 

REFERÊNCIAS

BRAGA, M. de M. O Eletromagnetismo Abordado de Forma Conceitual no Ensino Médio. 2004. 142f. Dissertação (Mestrado Profissional em Ensino de Física) – Instituto de Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

BRASIL, Ministério da Educação.  Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio: Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, Brasília, 2000.

GIORDAN, M. O Papel da Experimentação no Ensino das Ciências. Revista Química Nova na Escola, n. 10, p. 43-49, 1999.

MOREIRA, M. A.; Teorias de Aprendizagem. São Paulo; EPU, 2011.


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