EDUCAÇÃO FINANCEIRA NAS TRILHAS DA INCLUSÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL I

Bárbara Cristina Mathias Santos, Chang Kuo Rodrigues

Resumo


A Educação Especial no Brasil age voltada para a inclusão das pessoas com deficiência, cumprindo as normas previstas na Constituição Federal de 1988 que, em seu artigo art. 205, trata do direito, permanência e atendimento especializado. Nesse sentido, a prática pedagógica no processo da inclusão tem sido tema recorrente em grupos de estudos e em qualquer ambiente de discussão docente. Para que se atinja o objetivo específico da Inclusão de receber e acompanhar a pessoa com deficiência, subsidiando meios e possibilitando seu desenvolvimento, é imprescindível que a escola, desde cedo, trabalhe com a questão do desenvolvimento da autonomia dos sujeitos. Nesse cenário, recorremos a conceitos de Educação Financeira de modo a abordar questões simples do cotidiano, levando o sujeito a pensar e repensar atitudes mais conscientes que envolvem o dinheiro, partindo de temas mais simples para os mais complexos.Esta pesquisa surge como forma de buscar a construção de saberes no que tange à Educação Financeira, com o objetivo de promover a tomada de decisão acerca da melhor utilização dos recursos financeiros dos sujeitos da pesquisa, proporcionando uma melhor qualidade de vida futura, além da observância das normas legislativas no tocante à inclusão, com crianças com deficiência intelectual leve e/ou moderada. Segundo o Código Internacional de Doenças, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (CID 10), a deficiência intelectual (antes denominado como retardo mental) é representada pela parada do desenvolvimento ou pelo desenvolvimento incompleto do funcionamento intelectual, caracterizados essencialmente por um comprometimento, das faculdades que determinam o nível global de inteligência, isto é, das funções cognitivas, de linguagem, da motricidade e do comportamento social.Para tanto, pretende-se observar as normas que regem a lei que trata dos direitos de aprendizagem da criança com deficiência, relacionar a Educação Financeira ao currículo escolar, iniciar os primeiros passos na construção dos conceitos de Educação Financeira com as crianças com deficiência intelectual leve e/ou moderada e, confeccionar um Produto Educacional oriundo das atividades presentes nas intervenções.A pesquisa tomará como referencial teórico Jean Piaget e seus estudos no que tange à epistemologia genética. Na busca de sintetizar a contribuição de Piaget, utilizaremos os apontamentos de Chiarottino (1988), cujo título é: “Em Busca do Sentido da Obra de Jean Piaget”, e "Psicologia e Epistemologia Genética de Jean Piaget”, em que as inquietações iniciais de Piaget são apontadas para o sentido de como seria possível alcançar o conhecimento, que, segundo o autor, está no fato de o sujeito organizar, estruturar e explicar o mundo onde está inserido. Corroborando este argumento, Chiarottino (1988, p.3) esclarece que: “conhecer não é somente explicar; e não é somente viver: conhecer é algo que se dá a partir da vivência (ou seja, da ação sobre o objeto do conhecimento) para que este objeto seja imerso em um sistema de relações”.Nessa perspectiva, podemos considerar que Piaget apresenta o sujeito em um dinamismo cognitivo, em constante aquisição e transformação das estruturas mentais; para isso, ele apresenta dois conceitos, a saber: assimilação e acomodação. A assimilação, tal como Piaget define, seria a absorção de novos conceitos oferecidos pelo meio aos mecanismos já construídos pelo sujeito, ao passo que, a acomodação, por sua vez, representa as alterações que o sujeito faz intrinsecamente nos esquemas mentais, após uma nova informação, ou seja, um processamento que se comprova por meio de mudança da prática.Refletindo sobre a pesquisa, percebemos que ela possui traços de um estudo de caso que, segundo Martins (2008), é uma das metodologias mais antigas na investigação científica, mas, foi com a publicação da obra de Yin (2005), que se tornou uma referência básica para investigações sob esse método. Esta metodologia é destinada a avaliar ou descrever situações em que o elemento humano está presente. Ainda em Martins (2008), busca-se compreender uma situação em sua totalidade por meio de um mergulho profundo sobre o objeto delimitado para estudo.Destacamos ainda o fato de a presente pesquisa representar a busca da compreensão de quais significados os sujeitos, com suas características delimitadas, neste caso crianças com deficiência intelectual leve e/ou moderada, atribuem a determinados contextos da aprendizagem Matemática; nesse sentido, a etnografia se enquadra no contexto em que será desenvolvida.Para Angrosino (2009), a etnografia é a arte e a ciência de descrever um grupo humano, suas instituições, seus comportamentos interpessoais, suas produções materiais e suas crenças, envolvendo a descrição holística de um povo e seu modo de vida.Desta feita, a pesquisa desenvolver-se-á por meio de encontros semanais com o público escolhido, em uma escola pública do município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro, e utilizará atividades em Educação Financeira para responder a pergunta de partida da pesquisa: Como educar financeiramente as crianças na perspectiva da inclusão? Partindo da hipótese de que diante da observância da legislação da Inclusão, educar financeiramente as crianças com DI (Deficiência Intelectual), além de estimular uma prática de consumo consciente voltado para questões que imbricam na sustentabilidade, também representa uma ação de inclusão escolar, por meio da matemática escolar.
Palavras chaves: Educação Matemática. Deficiência Intelectual. Educação Financeira. Matemática Inclusiva.

REFERÊNCIAS ANGROSINO, M.; FLICK, U. (Coord.). Etnografia e observação participante. Porto Alegre: Artmed, 2009. BRASIL. Estratégia nacional de educação financeira. Plano Diretor da ENEF. (2011a). Disponível em: <http://www.vidaedinheiro.gov.br/Imagens/Plano %20Diretor%20ENEF.pdf> Acesso em: 27 jun. 2015CHIAROTTINO, Z. Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. São Paulo: EPU, 1988.MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de Caso: Uma estratégia de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2008. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde – CID-10. Disponível em: <www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.ht... Acesso em: 01de  nov. 2015PIAGET, J. A Epistemologia Genética. Trad: Nathanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Vozes, 1973._____. O Nascimento da Inteligência na Criança. Trad. Alvaro Cabral, Rio de Janeiro: Zahar, 1978a._____. Psicologia e Epistemologia: por uma teoria do conhecimento. Forense Universitária,1978b.YIN, Robert K. Estudo de Caso, planejamento e métodos. 2.ed. São Paulo: Bookman, 2001. 

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